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A Fantasia da Felicidade Plena é a Morte?

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A Fantasia da Felicidade Plena é a Morte?

Mensagempor Detektiv » 15 mar 2019, 13:53

A fantasia da felicidade plena e a sua busca, são apresentadas pelo viés filosófico em interlocução com a contemporaneidade, no qual se levantam questionamentos a fim de produzir novos olhares para o comportamento do homem actual. Há uma possível relação da busca pela Felicidade Plena com a Morte. Sublinha-se aqui uma possível interpretação da busca incessante pelo prazer, obtido pelo estado transitório da felicidade, com a Psicanálise e a Mitologia como um movimento pulsional que culmina na morte.

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A Felicidade é por essência indefinível e identificável, o que torna difícil a certeza sobre o que torna o homem feliz. Definir o substantivo felicidade é uma tarefa indeterminada. Qualquer pessoa, por mais superficial que seja, pode identificar e definir a felicidade idiossincraticamente, sem chegar num denominador comum . Ser feliz é alvo de todas as nossas ações, não há exceções. A nossa vontade é só a de dar passos em busca da felicidade, “até mesmo dos que se vão enforcar”

É fácil ser feliz? As ciências naturais e humanas são claras e diretas ao relatarem nosso constante labor pela sobrevivência. A perspectiva biológica alega que, enquanto estamos vivos, nossas células, tecidos, o nosso corpo em geral, apresenta-se em constante luta por adaptação e homeostase . Apenas o fato viver exige esforço. Na perspectiva social e psicológica, para Freud, nosso lado animal, em contado com o social, fecunda repressões violentas advindas dos nossos instintos; que é, pois, crucial para a garantia da convivência social, no qual também resulta em diversas psicopatologias cotidianas. Estamos submetidos a leis de ordem maior, no qual nossa única saída é adaptarmo-nos a elas.

A Felicidade: Epicuro, Sêneca e Aristóteles

Para Aristóteles, a felicidade é uma atividade ética. Esta atividade seria a mais prazerosa e essencial finalidade do homem, no qual decorre a aquisição e contemplação das virtudes clássicas. São elas as virtudes morais e intelectuais. Ele apresentou três possibilidades interligadas de manter uma vida feliz: A primeira tem a ver com a consciência dos desejos e prazeres do corpo; a segunda, sendo um cidadão livre e responsável; e a terceira, perpetuar na imparcialidade em relação à verdade, ou seja, nunca se conformar em relação às coisas. A felicidade decorre da realização prática das virtudes e prol da posse do sumo do bem. Isto produziria satisfação, alegria, tranquilidade e bem-estar perene.

Trilhando este caminho, Epicuro aponta a devida cautela com o prazer. Nenhuma forma de prazer em si é maléfica para o homem, porém, em excessos, podem engendrar em amiúdes dilemas. A quantidade indevida de busca pelo prazer pode acarretar em consequências negativas. O desejo excessivo pela felicidade pode gerar dissabor, pois a procura não cessa, porque a felicidade não é uma finalidade, mas apenas um estado. Há possibilidades de controle dos desejos e medos, no qual são pontes importantíssimas para o estado de ataraxia, equilíbrio e ausência de perturbações. Rejeitar os temores metafísicos facilita os caminhos à felicidade. Pelo fato do homem não conhecer Deus e a morte, não temê-los é agir de forma inteligente. As concepções que temos dessas duas instâncias são apenas ideias imaginárias.

O estóico Sêneca designa que todos nós almejamos a felicidade. Quando se trata no caminho que devemos percorrer para ela, é comum tampar os olhos. Abrir mão da riqueza material, desde os antigos, já era uma tarefa quase impossível. Manter uma vida consciente dos próprios desejos e controlá-los exige do homem um trabalho pessoal profundo. O estoicismo é uma corrente filosófica que defende o louvor à natureza, contemplação das coisas simples, como celebrar um banquete com apenas uma maçã ou apreciar o pôr do sol numa tarde. A busca pela simplicidade, pelo prazer da alma e não pelos bens materiais.


psicologado

Sobre os Autores:

José Cleber Leandro Duarte - Concluinte do Curso de Psicologia pelas Faculdades Integradas da Vitória de Santo Antão – FAINTVISA.

Ângela Baía - Psicóloga, Mestra em Filosofia pela UFPE e Docente do Curso de Graduação pelas Faculdades Integradas da Vitória de Santo Antão – FAINTVISA. Coordenadora do Grupo de Estudos Michel Foucault no Centro de Ensino e Pesquisa Contemporâneo


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