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Tornando-se Antifrágil - Por trás da resiliência marica

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Expoure
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Tornando-se Antifrágil - Por trás da resiliência marica

Mensagempor Expoure » 25 mai 2018, 17:31

Tradução feita por Expoure
fonte: https://www.artofmanliness.com/articles ... tifragile/
Façam seus pedidos :D

Tornando-se antifrágil: Por trás da resiliência marica

Qual o oposto de uma pessoa ou organização que é frágil ?
Se você perguntar isso a maioria das pessoas responderão algo como: “Robusto” ou “Resiliênte”. Mas o filosófo Nassim Nicholas Taleb diria que essa não é a resposta correta.

Ele argumenta que se que se um ‘item” frágil “quebra” quando exposto ao estresse, algo que é oposto a isto não deveria apenas não quebrar (ou seja, permanecer o mesmo) quando posto sob pressão; em vez disso, isso deveria na verdade ficar mais forte.

Nós não temos uma palavra para descrever tal pessoa ou organização, então Taleb criou uma: antifrágil.
Em seu livro, “Antifrágil: Coisas que ganham da desordem”, Taleb argumenta convincentemente que esta qualidade poderosa é essencial para negócios, governos, e ainda para indivíduos que desejam prosperar num mundo cada vez mais complexo e volátil.

Se voce quer ter sucesso e dominar, para separar a ti do gado e tornar-se o “último homem de pé” em qualquer área da vida, não é mais suficiente se recuperar da adversidade e da volatilidade - simplesmente ser resiliente. Você tem que se recuperar mais forte e melhor. Você tem que se tornar antigráfil.

Sobrevivendo e prosperando em um turbilhão de volatilidade

Antes de tudo, alguns requisitos.
Em 2007, Taleb popularizou a ideia de “Cisne negro” com seu livro que leva o mesmo nome.* Resumindo, cisne negro é um evento (positivo ou negativo) “que acontece de forma surpreendente, com efeitos importantes, e muitas vezes inadequadamente racionalizado, após o fato, com o benefício da retrospectiva”.
A crise das hipotecas em 2008 foi um evento cisne negro, assim como as duas guerras mundiais. Dificilmente alguém os previu, todos eles tiveram grandes impactos na história, e todos pareciam totalmente previsíveis olhando em retrospectiva.
Muitas pessoas contestaram o livro com a seguinte ideia: “Merdas acontecem o tempo todo, então não se incomode em tentar adivinhar coisas.” Mas como Taleb recentemente twitou, essa é a conclusão que os que os imbecis alcançam (Taleb não mede palavras). Em vez disso, a principal mensagem do livro é: “sim, merdas acontecem. O truque é por você mesmo em posição para sobreviver e até mesmo prosperar quando isso acontecer.”
No seu mais recente livro, Antifrágil, Taleb oferece algumas simples heurísticas para ajudar negócios e indivíduos a prosperar numa vida agitada com volatilidade.
Antes de fazer isso, entretanto, Taleb afirma que pessoas/sistemas/organizações/coisas/ideias podem ser descritas em uma das três maneiras: Frágil, resiliente, ou antifrágil.
Qual categoria melhor te descreve? Vamos dar uma olhada no tríade.

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Frágil: Sofre ou “quebra” com a volatilidade; Fica em desvantagem mais vezes do que em vantagem na volatilidade; procura tranquilidade; comete erros raramente porém maléficos; Mito: Espada de Damocles.
Resiliente: Continua o mesmo na volatilidade; indiferente à tranquilidade e a volatilidade; Mito: A fênix.
Antifrágil: Cresce e se fortifica com a volatilidade; Está mais em vantagem do que em desvantagem na volatilidade; procura desordem; comete erros pequenos e benignos; Mito: A hidra

O frágil

“Mas o que é o frágil? A extensa e otimizada superdependência da tecnologia, a superdependência do assim chamado método científico, ao contrário de heurísticas testadas pelo tempo.”

Coisas como estas são frágeis e não suportam, sofrem, com o caos e eventos aleatórios. Sistemas/pessoas/coisas frágeis buscam por tranquilidade porque elas tem mais a perder do que a ganhar durante tempos voláteis.

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Eixo x: Ganho
Eixo y: Dor
Pessoas / sistemas / organizações frágeis são côncavas. Conforme as flutuações aumentam (eixo x), você sofre mais perdas.

Taleb liga o frágil à história da espada de Damocles. Para todos que não estão familiarizados com este mito grego, Dâmocles era o cortesão do rei Dionysius II, que muito invejou a vida poder e luxo do rei. O rei ofereceu-lhe a oportunidade de sentar-se no trono e governar, para que pudesse ver por si mesmo o quão bom isto era. A princípio Damocles adora sua nova riqueza e elegância, e adora ter criados administrando todas as suas necessidades. Mas então Dionysus coloca uma espada - pendurada por um fio de cabelo - sobre a cabeça de Damocles.
A qualquer momento o fio de cabelo poderia arrebentar e matá-lo.
De repente, ser rei não era mais tão bom assim.
Damocles implora a Dionysius para deixá-lo sair da situação. Ele percebeu que não queria ser afortunado como um rei apesar de tudo.
Com grandes poderes e sucesso vem muito perigo e ansiedade. Como Shakespeare disse, “Inquieta é a cabeça que carrega uma coroa”. Quando você ganha status e riqueza, suas responsabilidades aumentam. Mais dinheiro, mais problema. Além disso, deve estar sempre atento a desafiantes que querem te “destronar”. É por isso que a espada de Dâmocles é uma ótima metáfora para a fragilidade. Quando você é o rei ou está em qualquer outra posição de poder, um pequeno empurrão pode derrubar seu castelo de cartas, você é realmente mais frágil do que poderia imaginar.
Você não precisa estar em uma posição de poder para experimentar os efeitos da espada de Dâmocles na sua vida, contudo. A espada pode ser algo como dívidas, por exemplo. Quando você está em um buraco tudo é prazeroso desde que as coisas sejam relativamente estáveis, mas adicionando um pouco de volatilidade - você fica doente ou seu carro quebra - e a espada cai.
Então sabemos que coisas frágeis desmoronam ou sofrem com adversidades ou volatilidade. Mas o que é que exatamente faz algo ser frágil ? Aqui estão algumas das “qualidades” que Taleb argumenta que contribuem para a fragilidade numa pessoa ou organização:

Coisas frágeis são tipicamente grandes.
Tamanho geralmente oferece o falso senso de grandeza, mas grandes organizações, assim como corporações gigantes e grandes governos, tipicamente não são ágeis o suficiente para sobreviver, muito menos para prosperar em tempos de adversidades. Há muitas complicações e camadas de burocracia para permitir uma ação rápida.
Grandes entidades são muito parecidas com o Titanic na noite em que afundou. No momento em que os vigias avistaram o iceberg, era tarde demais para tomar uma ação corretiva porque a velocidade de rotação do liner era muito lenta e o raio muito grande. Para navegar com sucesso a uma direção segura, era necessário mais tempo - e o tempo é um luxo que não está sempre disponível durante uma crise.
Assim, em tempos estressantes, vale a pena ser pequeno e ágil.

Reações à variabilidade e estresse vem do exterior.
Se algo é frágil e é exposto ao estresse, não há nada que possa ser feito para evitar esse estresse. A reação precisa vir de algo externo a isso.
Por exemplos, se uma xícara de porcelana está para cair de uma mesa porque ela foi empurrada, a única coisa que pode prevenir que a xícara quebre é alguma força externa - Uma mão pegando a xícara no ar ou talvez uma almofada para atenuar o impacto.
O mesmo se aplica a pessoas e negócios. Uma pessoa frágil provavelmente irá requisitar ajuda externa quando passar por momentos tempestuosos na vida por falta de auxílio - seja financeiro, social, ou social - para poder resistir à tempestade.

Coisas frágeis são excessivamente optimizadas. Negócios, pessoas e organizações, frágeis, geralmente são muito inteligentes para seu próprio bem. Nosso mundo moderno é obcecado por eficiência e optimização. As empresas buscam o maior número possível de ferramentas em prazos curtos e com o menor preço possível. De forma similar, indivíduos são instruídos a serem tão eficientes quanto podem com o seu tempo.

E isso funciona...Se tudo segue o plano. Mas raramente tudo segue o plano. O aleatório é uma regra, não uma exceção.


O problema central em ser excessivamente otimizado é que nós não podemos prever quando problema e erros irão surgir. Taleb também nota que quando esses erros ou flutuações aleatórias ocorrem, “sistemas” excessivamente otimizados demonstram “erros compostos que multiplicam-se com um efeito que vai para uma só direção - a direção errada.”
Aqui um exemplo:
Você está num cruzeiro pela Europa. Está programado que irá zarpar de Venice, Italia, mas você mora em Tulsa, Oklahoma, então você vai pegar um voo internacional para poder ir no cruzeiro. Você otimizou seu itinerário para chegar lá com tempo e dinheiro em mente - o primeiro voo saí tarde o suficiente para que você possa trabalhar pelo menos meio dia, e você minimizou as suas escalas entre voos com conexão.
Seu eficiente plano de vôo eficiente depende de margens de tempo apertadas. Com paradas de de 30 minutos, você não terá problema algum.
Você faz seu primeiro vôo sem problemas, mas o próximo vôo está com atraso, fazendo você perder seu vôo para Roma, e assim todo seu cruzeiro é perdido.
Por não ter deixado absolutamente nenhum tempo, no teu plano, para problemas, sua bem intencionada tentativa de otimização acabou saindo muito caro.
Eu tenho visto o problema de excesso de otimização na minha própria vida com meus planejamentos semanais. Eu sempre planejei minha semana baseado no método de Naïve que assume que nenhum imprevisto ou distração irá surgir.
Mas é claro que problemas não previstos acontecem e acabam me forçando a mudar todo meu plano semanal. Por estar tão otimizado, uma mudança força mudar a outra, que força mudar outra, e tudo acaba se tornando um “boondoggle” para mim. Eu tornei a minha agenda frágil tentando enfiar nela coisas de mais.
(não achei uma tradução para boondoggle, mas significa um projeto que é considerado perda de tempo e dinheiro).

Pessoas e sistemas frágeis buscam eliminar variabilidade, ruídos e tensões. Por não terem construído respostas internas para o estresse e variabilidade, eles ingenuamente tentam eliminá-las completamente da equação.
Mas tentar eliminar a variabilidade e o aleatório é um jogo de perdedores. Simplesmente não é possível. Lembre-se, aleatoriedade e variabilidade são a regra, não a exceção.
Fazer isso não é apenas uma causa perdida, como acaba por tornar a pessoa ou sistema frágil mais frágil ainda.
Taleb chama esse pessoal que tenta utópicamente eliminar a volatilidade de “fragilistas.”
Pais “helicópteros” são um grande exemplo disso. Na tentativa de fazer a vida tão segura quanto possível para seus filhos, eles na verdade os colocam em um fracasso, às vezes debilitante, quando inevitavelmente enfrentam adversidades por conta própria. A psique humana requer variabilidade, adversidade e estresse para se tornar forte. Privando suas crianças do estresse, pais “helicópteros” fragilizam o futuro delas.

(Pais helicópteros é uma analogia aos pais colocarem as crianças num helicóptero para que fiquem seguras de todo o caos abaixo delas)

O resiliente



O resiliente, ou robusto, não se importa se as circunstâncias se tornarão voláteis ou disruptivos (até certo ponto). Eles permanecem estáveis em tempos de adversidade e tranquilidade.

Taleb liga a resiliência à mítica fênix. A fenix, se você bem lembra, é um pássaro imortal que morre pelo fogo e renasce das cinzas para seu estado inicial. A fenix não fica melhor ou pior nesse seu ciclo de morte e renascimento. Elas apenas continua a mesma. Portanto, resiliente.

Pessoas podem ser resilientes quando estão de boa, calmas, e passam por períodos de estresse. Budismo e estoicismo promovem a resiliência psicológica pois ambas ensinam a indiferença para a mudança. Quando você é mentalmente resiliente, você não se importa se é rico ou se perdeu todo seu dinheiro num único dia.

Resiliência, ou robustez, é certamente mais desejável do que a fragilidade. Nós precisamos fazer tudo que pudermos para fazermos nós mesmos, nossos negócios e a nossa sociedade mais resiliente frente a volatilidade. Mas Taleb argumenta que apenas ser resiliente é uma ambição “marica” pois você está essencialmente se conformando com seu estado atual (status quo). Claro, quando as coisas são resilientes, você se recupera da adversidade, mas você se recupera pro estado anterior à queda.

Para ser verdadeiramente eficaz num mundo girando com complexidade, aleatoriedade, e riscos, você não pode apenas ser um resiliente mariquinha. Sempre que puder, você deve sempre encontrar oportunidades para realmente crescer na desordem, volatilidade, e adversidade. O objetivo é caminhar lado a lado da resiliencia para se tornar antifrágil.

O antifrágil



Coisas que são antifrágeis crescem e se fortificam através da volatilidade e estresse (até certo ponto). Quando pessoas ou sistemas são antifrágeis, há mais vantagens do que desvantagens quando eventos de Cisne Negros ocorrem. O sistema antifrágil se alimenta do caos e da incerteza como um deus primordial.

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Coisas antifrágeis são convexas. A variabilidade crescendo (eixo-x), fazem os ganhos também crescerem.

Taleb liga a antifragilidade à Hydra da mitologia grega. A Hydra era um lagarto gigante de multi cabeças e perigoso. Sempre que um herói cortava fora uma das cabeças da Hydra, duas cresciam no seu lugar - A Hydra tornava-se forte com a adversidade. (Isso é, até que Hércules aprendeu que poderia parar o processo cauterizando da ferida imediatamente depois de cortar a cabeça. Mesmo o sistema mais antifrágil entrará em colapso quando exposto a muito estresse.)

Então o que torna algo antifrágil ? Abaixo estão algumas das características chaves:

Menos é geralmente mais com a antifragilidade. Para tornar-se anti-frágil, vale a pena ser pequeno. Com a pequenez, surge maior agilidade e flexibilidade durante tempos voláteis e caóticos. Se eu estivesse navegando num mar nebuloso cheio de icebergs escondidos, eu gostaria de ser um passageiro numa pequena, mas manuseável, do que num gigantesco, porém lento, transatlântico.

Guerrilhas armadas e organizações terroristas são exemplos devastadores de como menos é mais quando se trata de antifraglidade. Com pouca mão de obra e dinheiro, eles tem a capacidade de incapacitar grandes estados, economias e exércitos. O que é ainda mais assustador, quanto mais esses grandes estados tentam suprimir essas pequenas e vagamente organizadas organizações terroristas (Um movimento fragilista), mais forte eles se tornam. Eles são a Hydra.

As respostas à variabilidade e ao estresse são incorporadas ao antifrágil. Diferente das coisas frágeis que necessitam de respostas exteriores para protege-los da variabilidade e do estresse, coisas antifrágeis tem força e proteção interiores. Nosso sistema esquelético é um grande exemplo da resposta interna à variabilidade. Nossos ossos precisam de estresse para que possam crescer e se manter fortes, o que explica porque ciclistas profissionais tem ossos com menor densidade do que ciclistas amadores ou ocasionais da mesma idade. Pedalar não estressa o esqueleto da mesma forma que correr, levantar pesos, ou mesmo caminhar, portanto os ossos de um ciclista podem se tornar mais frágeis.

Coisas antifrágeis têm redundâncias incorporadas. Este ponto me chamou a atenção. Diferente de sistemas/pessoas/organizações frágeis, coisas antifrágeis não fazem da eficiência seu objetivo principal. Para o antifrágil, prosperar na aleatoriedade é o objetivo, que muitas vezes requer ser “ineficiente” por meio de redundâncias em camadas.
Como Taleb diz: “Redundância é ambíguo porque parece um desperdício se nada de anormal acontecer. Exceto se algo incomum acontece - usualmente.
A natureza está cheia de redundâncias “ineficientes”. Animais possuem duas pernas, dois rins, e dois testículos, quando um deles poderia trabalhar muito bem. Caso um dos pares venha a se tornar deficiente, vale a pena ter um sobressalente.
Além de permitir que você enfrente tempestades, Taleb argumenta que redundâncias podem permitir que você se torne mais forte.
Um exemplo perfeito disso é um sobrevivencialista versus um minimalista. O minimalismo é esteticamente agradável, mas limitar suas posses para no máximo 100 coisas seria horrível (https://zenhabits.net/minimalist-fun-th ... challenge/). O sobrevivencialista que construiu redundâncias - não apenas um freezer cheio de comida mas também um estoque de MREs (comida militar que vem em “kits”), e não apenas questões de saúde mas também lenha para queimar, não apenas dinheiro mas cigarros para servir como moeda - não irá apenas sobreviver a um desastre, mas também prosperará nele.

Redundâncias não necessariamente são pesos - no caso do sobrevivencialismo ele estará preparado para tudo.
https://www.artofmanliness.com/2012/11/ ... -disaster/

https://www.artofmanliness.com/2011/03/ ... vival-kit/

As redundâncias não precisam criar o tipo de grande que venham a tornar o sistema frágil também. Ao contrário de camadas de burocracia, uma pessoa/organização antifrágil tem acesso direto a seu capital e controle total sobre a decisão de onde e quando irá usar.

Natureza e tradição ajudam a criar antifragilidade. Como Taleb aponta muitas vezes ao decorrer do livro antifrágil, natureza tem feito um trabalho fantástico implantando antifragilidade em organismos e sistemas.
Nossos corpos possuem antifragilidade interna de várias maneiras. Já falamos sobre nosso sistema esquelético. Outro exemplo é nosso corpo respondendo ao jejum. Quando ficamos sem comer por longos períodos, nosso corpo libera hormônios que realmente nos deixam mais fortes e mentalmente aguçados. Essa reação antifrágil faz sentido. Nossos ancestrais das cavernas viviam num tempo onde a aquisição de comida era escassa e aleatória, então nossos corpos evoluíram para se adaptar ao meio ambiente.
Taleb também defende que as tradições humanas possuem antifragilidade. Para nós, “cientistas modernos” muitas tradições parecem arcaicas e bobas. Mas elas se desenvolveram e sobreviveram por tanto tempo pois elas servem algum propósito. De acordo com Taleb, tradições são muitas vezes apenas heurísticas testadas pelo tempo que tornam a vida manejável num mundo tão aleatório e volátil. Por exemplo, ritos de passagem foram empregados em culturas por todo o mundo para capacitar jovens a terem o senso de quando tornaram-se homens e devem assumir responsabilidades de adultos, em vez de deixá-los confusamente chegar à idade adulta. Através dessas cerimônias de amadurecimento desafiadoras e, muitas vezes dolorosas, um jovem emerge mais forte do que antes.

Tornando-se Antifrágil

O livro de Taleb alimentou muito meus pensamentos. Eu olho tudo através das lentes da sua tríade. É um exercício mental fascinante que organiza o mundo à sua volta como frágil, resiliente ou antifrágil. Aplicar isso à minha vida pessoal tem sido uma experiência reveladora. Onde estou frágil? Como posso fazer diferentes áreas da minha vida antifrageis? Posso fazer coisas para ajudar minha família a se tornar antifrágil?
Embora eu tenha sido um proponente de me tornar psicologicamente resistente, eu realmente gosto da idéia de dar um passo adiante - não apenas permanecer o mesmo durante a adversidade, mas me tornar mentalmente mais forte com isso. Eu quero aprender como posso criar um ambiente que torne tal resultado uma possibilidade.
A maior parte do livro de Taleb é repleta de táticas e heurísticas que você pode usar para tornar sua vida e negócios mais antifrágeis. Aqui estão algumas de suas dicas, bem como algumas das minhas:

Injete intencionalmente o estresse em sua vida. O estresse é mal visto; enquanto o estresse a longo prazo pode ter efeitos deletérios, estresses curtos podem torná-lo mais forte e melhor. Seu corpo e sua mente têm antifragilidade embutida neles, mas requerem estresse para que a antifragilidade seja ativada. Algumas maneiras de injetar estresse positivo em sua vida: velocidade, tomar banhos frios, fazer uma corrida de obstáculos, levantar peso, correr em vez de pedalar.

Adicione redundâncias em sua vida. Comece esse fundo de emergência (https://www.artofmanliness.com/2011/03/ ... ency-fund/); adicione buffers(“espaços”) em sua agenda para levar em conta a inevitável volatilidade que acontece a cada dia; faça aquele saco de sobrevivencia (https://www.artofmanliness.com/articles ... vival-kit/). Os ganhos de redundâncias aumentam à medida que a volatilidade aumenta.

Empregue a “estratégia da barra”.
Taleb descreve a “estratégia da barra” como “uma atitude dupla de protegê-la em algumas áreas e assumir pequenos riscos em outras, obtendo assim a antifragilidade”. Jogar com segurança reduz a potencial desvantagem da volatilidade e assumir pequenos riscos expõe você aos ganhos potencialmente massivos do mesmo caos. Para pessoas comuns, isso pode significar manter o seu dia de trabalho chato (o final seguro da barra), enquanto trabalha no seu negócio à noite (a extremidade arriscada da barra). Se a ideia paralela não der certo, você ainda tem o seu trabalho chato, mas se funcionar, você pode viver o sonho de trabalhar para si mesmo e se tornar rico.

Nunca ouça conselhos de alguém que não tenha “skin no jogo”.
Vivemos em um mundo em que as ações, as opiniões e os conselhos das pessoas são divorciadas das consequências. Nós não mais forçamos as pessoas a terem “skins no jogo”. Isso fragiliza a sociedade. Conselheiros financeiros na TV podem dar conselhos terríveis e os especialistas podem emitir opiniões erradas, mas não sofrem consequências por suas previsões errôneas, mesmo que essas previsões prejudiquem outras pessoas.
Ao determinar se deve ou não receber conselhos de alguém, procure ver se eles têm a skin no jogo. Se a pessoa que está dispensando o conselho ou fazendo a previsão não tiver nada a perder por estar errada, não os ouça. Preste mais atenção às pessoas que aceitaram o risco e a responsabilidade por suas palavras.

Pratique via negativa.
De acordo com Taleb, “o primeiro passo para a antifragilidade consiste na primeira desvantagem decrescente”. Fazemos isso através da prática via negativa - uma frase emprestada da teologia. Em vez de concentrar seu tempo em adicionar coisas à sua vida para torná-lo melhor, concentre-se primeiro em subtrair hábitos, práticas, coisas, pessoas que o fragilizam. Alguns exemplos: livrar-se da dívida, parar de fumar, parar de ficar perto de amigos tóxicos, eliminar alimentos não saudáveis.

Mantenha suas opções abertas.
Aumente a opcionalidade em sua vida. Quando a volatilidade e o caos aumentam, é o homem com mais opções que é o mais antifrágil. Como você aumenta a opcionalidade? Ter dinheiro no banco certamente aumenta suas opções; dá-lhe espaço para respirar durante crises econômicas, mas também oferece flexibilidade para aproveitar oportunidades imprevistas positivas ou perseguir metas. Aumentar suas habilidades também lhe dá a opcionalidade. Se uma carreira vai à falência, você tem as habilidades para alavancar uma nova.

Muitos desses métodos merecem mais descompactação, e nós estaremos revisitando como se tornar mais antifrágeis em maior detalhe no próximo ano. Até lá, eu recomendo pegar uma cópia do Antifrágil. É um ótimo livro que é ao mesmo tempo esclarecedor e agradável de ler.


*Recomendo fortemente o livro
“Aprendi na estrada que o mais difícil não é seguir em frente, e sim, não olhar para trás.”

"Se você parar de ver o mundo em termos do que você gosta ou desgosta e começar a ver as coisas pelo o que elas realmente são, vai encontrar um ideal de paz muito maior na sua vida"
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Re: Tornando-se Antifrágil - Por trás da resiliência marica

Mensagempor Euler » 25 mai 2018, 19:12

Alguém mais preocupado consigo mesmo que com mulheres e o mundo tem mais chances de crescer em meio a porradas que alguém que se importa com o que os outros pensam ou deixam de pensar. Não que a pessoa tem que se fechar em uma bolha, ele pode sim prestar atenção no que está ocorrendo ao seu redor. Mas não tem que se importar.
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Re: Tornando-se Antifrágil - Por trás da resiliência marica

Mensagempor Hagaro » 26 mai 2018, 18:32

Muito bom confrade, obrigado por trazer o conteúdo :)
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Re: Tornando-se Antifrágil - Por trás da resiliência marica

Mensagempor Canis Lupus » 27 mai 2018, 17:20

Ótimo conteúdo.
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Re: Tornando-se Antifrágil - Por trás da resiliência marica

Mensagempor Max Wolf » 29 mai 2018, 16:19

Excelente topico confrade

Para quem tiver interesse no livro, existe a versão em pdf dele gratuita :
http://lelivros.love/book/baixar-livro-antifragil-nassim-nicholas-taleb-em-pdf-epub-e-mobi-ou-ler-online/

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